Buscar
  • Roberto Maxwell

Viaje com a gente por Ine, a 'Veneza Japonesa'


Ine é um vilarejo de pouco mais de 2000 habitantes na Península de Tango, a cerca de 130 km da cidade de Kyoto. A região da península é cheia de locais turísticos conhecidos pelos japoneses. Amanohashidate, na cidade de Miyazu, é o mais famoso deles. O local é agraciado por uma estreita faixa de areia que divide as águas do Mar do Japão entre a Baía de Miyazu e a Laguna de Asoumi.

A paisagem é tão exótica que seu nome em japonês se refere a uma ponte mitológica que, um dia, teria caído do céu. Paisagem de beleza incontestável, Amanohashidate é visitada por inúmeros turistas ao longo do ano. O local também é base para os poucos intrépidos que decidem se arriscar a ir um pouco mais longe, ao vilarejo de Ine.

Num primeiro olhar, a vila não se difere em nada de outras localidades pesqueiras do Japão. As casas de madeira dominam a paisagem, se apertando nas ruas estreitas que abrigam em suas bordas, aqui e ali, pequeninos santuários, quase altares. Mas basta um olhar mais atento no pequeno porto da localidade para entender porque Ine se tornou febre nas redes sociais há algum tempo: a pequena enseada está repleta de casinhas de ‘bocas abertas’ para as águas verde-musgo do mar.

São os funaya, construções retangulares de dois pavimentos em madeira com duas entradas: uma para a rua e outra para o mar. O pavimento inferior é usado como garagem para o barco, numa e para o carro. O espaço também serve ao trabalho, com ferramentas para a pesca e manutenção dos veículos, além de varais para secar peixes. Já no piso superior ficam os espaços privados da família.

As casas começaram a ganhar essa forma com a construção de estradas para conectar a vila a outras localidades. Isso foi em meados do Período Meiji (1868-1912). Os moradores queriam garantir o acesso à modernidade da estrada, sem perder a saída rápida para o mar. Isso resultou numa arquitetura que é única da região. Atualmente, são 238 construções do tipo que, desde o ano 2000, são tombadas como patrimônio cultural pelo governo japonês.

Apesar do sucesso nas redes sociais (e na TV japonesa), poucos dos turistas que visitam Amanohashidate chegam até Ine. Não é por falta de esforço local. Alguns funaya se transformaram em ryokan, pousadas tradicionais. Passeios de barco trazem o visitante para ver as casinhas de perto. Mas, excluindo um ou outro ônibus de turismo, com grupos ficam bem pouco tempo, Ine ainda continua sendo uma vila pacata. No fundo, melhor que seja assim. Que Ine siga sendo, como diz um amigo virtual, esse “cartão postal por acidente”.

Confira no vídeo mais da beleza de Ine:

SERVIÇO

Ine, a Veneza Japonesa

Como chegar? Partindo de Kyoto, embarque num trem-expresso para Amanohashidate. Ônibus partem para Ine tanto da estação de Amanohashidate quanto da de Miyazu, outra localidade próxima.

Onde ficar? Se sua intenção é passar uma noite em Ine, experimente ficar na pousada Yosasou Water Front Inn que tem quartos com vista para a enseada. A pousada também funciona como restaurante, com preços bem convidativos para o almoço.

#Kyoto #arquitetura #história

109 visualizações
© 2017 por Tabiji/Roberto Maxwell. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por